Arquivo de setembro \21\UTC 2010
À coeur fermé
Publicado por Anna Luiza Azevedo em Escritos em 21/09/2010
Foi você falar do sorriso estampado no rosto trocado pelos nós antes existentes em você que eu me dei conta dos inúmeros nós que ainda existiam em mim. Na cabeça, na garganta, no estômago, no peito. Todos ali, atados, cegos.
Eu cansei da esperança de que você se preocupasse também com os meus. Mas você, pensando apenas em você, desatou apenas aqueles que te agustiavam; aqueles que, de repente, te impediam um sorriso, uma noite de sono.
Eu passei mais uma noite em claro depois de ouvir tudo o que eu ouvi, de sentir tudo o que eu, aos trancos e barrancos, vinha me impedindo de sentir todo esse tempo. Eu, mais uma vez, ajudei você com as suas dores e fiquei aqui com o latejar de todas as minhas, exausta de tanto choro, angustiada por uma migalha de amor seu. Do amor que se fosse realmente tão grande quanto você diz ultrapassaria essas barreiras do falar, seria maior mesmo até do que o próprio agir.
Só que você nada fez mesmo depois das portas abertas. Eu abri todas, até as que eu tinha trancado a chave tempos atrás ou mesmo as soldadas de mágoa. Eu abri. Abri porque você me pediu num dos seus muitos abraços seguidos de qualquer coisa dita que fazia parecer que você de verdade se importava, que me queria, que sentia minha falta.
Mas não fez diferença alguma. Como nunca fez.
Como nunca fará.
Eu paro de esperar suas ligações. Eu paro de esperar uma resposta dizendo que me ama. Eu paro de querer que você me queira alguma vez mais. Eu paro de insistir nesse gostar de você. Eu paro de aguardar qualquer demonstração de arrependimento seu seja sobre a foto dela ou sobre a foto minha. Eu paro de abrir esse coração de retalhos toda vez que você promete o carinho que ele tanto quer.
Eu paro. Eu fecho.
Eu chego ao fim.
Pra não dizer que não falei do fim
Publicado por Anna Luiza Azevedo em Escritos em 15/09/2010
A roupa de cama com o seu cheiro foi pra lavar naquele mesmo dia em que nós iríamos chegar ao fim. Penso nesse dia como alguém que assiste um filme sem nem muito saber o que vai acontecer nos minutos seguintes, nos minutos finais. A história, dessa vez diferente das muitas outras histórias, acabou também com algumas lágrimas, com algumas decepções. Não, não tinha acabado. Se emoção fosse, chamaria então assim, mas não era isso o mais que ainda tinha para ser visto no filminho de nós dois. Tinha mais decepção, tinha a sensação do engano, tinha raiva de me sentir passada para trás por esse seu sorriso nem tão bonito, mas de alguma forma doce; por esse seu olhar que já não me parece sincero, mas que me confundiu e me fez acreditar em verdades inventadas por você durante todo esse tempo. Tenho sentido um asco toda vez que penso em você e no seu papinho de ser diferente dos outros homens e de como eu não precisava viver querendo acreditar no desamor o tempo todo porque você gostava de mim de verdade. Eu é que tinha mania de ver mentira em tudo ou você e todo o seu discurso eram mesmo a mentira que eu sempre senti o cheiro mas que nunca consegui de fato enxergar porque no meio do caminho tinham lá suas palavras doces, seu olhar fixo querendo me comunicar amor, sentimento verdadeiro, fidelidade e tantas coisas mais que eu de repente nunca tive mesmo, ou tive, mas há tanto tempo que já não me lembro e depois de tanta dor que já desconfio. O asco eu sinto por você. A raiva vez ou outra eu dedico a mim mesma por ter sido a boba que se iludiu com toda a sua conversinha de querer fazer feliz a menina dos textos sensíveis, tristes. Eu me odeio toda vez que lembro da sua voz me dizendo que você queria ser pra mim tudo aquilo que eu precisava ou queria. E já são tantas as coisas que eu sinto aqui dentro ao mesmo tempo e junto que não sei nem mais quais são as coisas que eu quero e quais são as que eu preciso. Na verdade, eu estou pouco me fodendo para qualquer diferenciação. E penso em tantas noites e tardes e dias de domingo e de sábado, e desejo tanto com toda força que tenho para que elas sumam da minha cabeça, só pra que te levem junto e levem também tudo o que eu senti e sinto. O querer e o precisar se confundem tão a beira da superfície de mim que as sensações mais profundas vem a tona e esbarram nisso tudo que tem boiado em memória e dor. Nas noites em que me escapam as forças e a mente, por traçoeira que é me traz você, eu penso em pirâmide, bambuzal, sal grosso, arruda e tudo isso junto só pra sumir com você, pra matar você aqui dentro. E então não sentir mais essa angústia de ter sido passada pra trás, de ter sido feita de boba por quem eu menos esperava. Você, mesmo depois de todos os seus esforços de ser pra mim quem você não é, acabou mesmo sendo quem sempre foi. E o seu sempre não é nem igual nem melhor do que homem algum. Mulher alguma se surpreende quando o homem safado, que não vale nada, tem uma atitude que condiz com aquilo que ela acha (ou sabe) que ele é. Você, minha ilusão de amor tranquilo, é pior quando faz exatamente aquilo que sempre negou. E trai e mente e engana e desrespeita e faz tudo o mais que todos os outros. Esse texto não é nem para falar do fim da gente. É mesmo para falar do fim desse seu teatrinho de Homem Perfeito, que de tão mal interpretado durou mesmo tempo suficiente para que eu soubesse que você… ah, você não vale mesmo nem um pão velho.




