À coeur fermé

Foi você falar do sorriso estampado no rosto trocado pelos nós antes existentes em você que eu me dei conta dos inúmeros nós que ainda existiam em mim. Na cabeça, na garganta, no estômago, no peito. Todos ali, atados, cegos.

Eu cansei da esperança de que você se preocupasse também com os meus. Mas você, pensando apenas em você, desatou apenas aqueles que te agustiavam; aqueles que, de repente, te impediam um sorriso, uma noite de sono.

Eu passei mais uma noite em claro depois de ouvir tudo o que eu ouvi, de sentir tudo o que eu, aos trancos e barrancos, vinha me impedindo de sentir todo esse tempo. Eu, mais uma vez, ajudei você com as suas dores e fiquei aqui com o latejar de todas as minhas, exausta de tanto choro, angustiada por uma migalha de amor seu. Do amor que se fosse realmente tão grande quanto você diz ultrapassaria essas barreiras do falar, seria maior mesmo até do que o próprio agir.

Só que você nada fez mesmo depois das portas abertas. Eu abri todas, até as que eu tinha trancado a chave tempos atrás ou mesmo as soldadas de mágoa. Eu abri. Abri porque você me pediu num dos seus muitos abraços seguidos de qualquer coisa dita que fazia parecer que você de verdade se importava, que me queria, que sentia minha falta.

Mas não fez diferença alguma. Como nunca fez.

Como nunca fará.

Eu paro de esperar suas ligações. Eu paro de esperar uma resposta dizendo que me ama. Eu paro de querer que você me queira alguma vez mais. Eu paro de insistir nesse gostar de você. Eu paro de aguardar qualquer demonstração de arrependimento seu seja sobre a foto dela ou sobre a foto minha. Eu paro de abrir esse coração de retalhos toda vez que você promete o carinho que ele tanto quer.

Eu paro. Eu fecho.

Eu chego ao fim.

  1. #1 by Pedro on 21/09/2010 - 7:42 pm

    Eu sou um silencioso leitor de seu blog há alguns meses. Agora, já tendo lido algumas coisas que você escreveu, posso dizer: eu adoro teu estilo. Dá pra sentir o que você sente, de certa forma.

    De vez em quando, é bom tomar uma dose da humanidade alheia…

  2. #2 by larissa on 21/09/2010 - 9:23 pm

    dói no peito de quem também tem mágoa (e muito, por agora!) ver que a amiga-escritora também as compartilha. se dói…

  3. #3 by Ana Bluess on 23/09/2010 - 11:51 pm

    Olá.. tenho lido os textos do seu blog e acho lindos, tenho que admitir que sei exatamente como é esse sentimento de ficar ouvindo e esperando que por um momento ele perceba que tbm sentimos algo =(

  4. #4 by Anna Luiza Azevedo on 24/09/2010 - 1:27 am

    Façamos como a Marcella sugeriu num comentário deixado no texto anterior.

    Vamos amar sempre! Como se fosse a primeira vez, sem dor; qualquer hora a gente acerta!

  5. #5 by marcella on 26/09/2010 - 2:35 am

    O pior de tudo é que no fundo no fundo a gente não para de esperar…
    A medida que o tempo passa, você só lembra, menos vezes durante o dia, que vc ainda espera.

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