Eu quis transformar ele e Porto e os vinhos e tudo o mais em texto pra ver como ficava tudo junto ou mesmo separado no papel. Assim como quis ficar com ele pra ver como ele ficava comigo. Ou como eu ficaria com ele se a gente ficasse. Como as fotos com sol ou chuva ficariam. Como seriam os vinhos, as noites, os risos.
Nessa de quem quer ter um amor em cada porto, decidi um amor de um porto só. Ou nem mesmo amor, só paixão ou brincadeira, sabe lá. Coisa gostosa. E foi. Decidi querer ganhar e dar carinho e curtir e ser e rir e de repente nada mais.
Fomos o vermelho de Kandinsky em quatro dias de nós mesmos. Sem limites, quentes, transbordando vida agitada, ardente. Deixei de ser o negro ou o verde ou o azul que há tempos vinha sendo. Eu não respondi nem mandei emails, não liguei nem me ligaram. Eu vivi Porto e ele e os dias como não vinha vivendo a minha vida. Só. Um só que em si já significa muito.
Ele me ganhou com algum charme. Vai ver vem do pai francês, não sei. Sei que amei mais ele do que a cidade. Gostei mais dos dias do que vinho. Gostei mais de tudo aquilo que quase não tem importância do que dos pontos turísticos.
A bem da verdade é que eu gostei dele. E do jeito dele de não mostrar que estava gostando de mim. Vai ver porque não cai bem ou porque não gosta mesmo, sei lá. Sei que eu fui gostando, voltei gostando.
Estou gostando. Dessa coisa toda de amor de porto. De amor em Porto. Dele.





#1 by Pedro on 01/02/2011 - 3:05 pm
“Nessa de quem quer ter um amor em cada porto, decidi um amor de um porto só.”
Lindo.
Acho que essa tua viagem te fez bem de uma forma inusitada: teu texto melhorou ainda mais, seu estilo tá mais marcado, até mais elegante. (não que não fosse bom antes)
Eu que te conheço um pouquinho, consigo te imaginar falando isso tudo: o texto tem o seu ritmo; sem ser, porém, corriqueiro.
Parabéns
#2 by Stéphanie on 23/03/2011 - 2:39 pm
Curto muito o seu blog Anna! O jeito que você escreve é extremamente gostoso de ler.
Não mais uma fã anônima,
Stéph