Para ler ao som de Rolling in the Deep, pois assim foi escrito.
Uma escritora muito querida por mim certa vez disse, “Adele dominou o mundo porque todos já passaram pelo momento ‘We could have had it all’. Quem não passou pode ir se preparando. Dói.”
Verdade. Clara Averbuck tinha mesmo toda razão. Dói. E quem alguma vez já leu qualquer texto meu já deve saber dos meus ‘We could have had it all’. Porque eu já tive alguns. Porque eu já escrevi sobre eles. Porque eles me doeram muito. E todo fim é mesmo sempre assim, não? As lágrimas que teimam em cair nos fazem lembrar mesmo disso: de tudo aquilo que nós poderíamos ter tido e sido e que não tivemos e não fomos.
Sobre o menino não poderia ser diferente. Eu poderia sim ter tido e sido tudo com o Homem de barba. Talvez. Ou até mesmo quem sabe com o Rapaz de Turim. Vai saber. Em dois-mil-e-onze porém, eu quis ter tudo com o menino. Com o meu menino. Porque eu me encantei e me deixei encantar por ele e por tudo aquilo que nós poderíamos ter e ser.
Não tivemos. Não fomos. E por isso então esse deve ser o texto mais triste que eu já escrevi. Porque é vazio. Porque nossos jeitos e gênios nunca permitiram nem permitiriam que nós tivéssemos tudo. Eu fui nada para o menino querendo ser tudo. Ele foi nada para mim porque não conseguiria mesmo ter sido coisa alguma.
Mas nós nos amamos. Tivemos sim o coração um do outro. Mas e aí? E aí nada. Não se constrói uma vida nem uma história só de amor. Só de amor se faz um texto, mas não se vive. Não vivemos. A bem da verdade é que o meu menino, vai ver por ser tão menino, nunca se permitiu viver. E eu? Ah, eu tentei. Juro que tentei. E muito. Alguns dias acordava com vontade de segurá-lo pelo rosto e berrar para fazê-lo acordar e viver. “Ei, não deixa a gente se perder não. Não me manda mais embora.” As pessoas dão aquilo que tem para dar. Aquele amor jamais viria. Ele nunca existiu. Ou existia, só que por baixo de tantas inseguranças e paredes que ele foi criando para proteger o próprio coração e assim então não se machucar. Mas assim então também não amar.
Eu vi muito de mim mesma no menino. E eu quis ser pro menino o que um dia um homem de barba foi para mim. E quis que ele entendesse que não devíamos apostar sempre no desamor. E quis dizer todos os dias o quanto eu o amava para que ele acreditasse, mesmo que no minuto seguinte ele esquecesse. Eu quis curar os medos e os receios dele tal como alguém um dia curou os meus. Nós teríamos tudo. Nós poderíamos ter tido tudo. Mas não tivemos.
O menino tantas vezes me mandou embora, foi embora, me deixou ir embora. Negou meu amor, negou amor, se negou ao nosso amor. Eu, que também tenho lá meus limites e minhas dores, fui cansando de tentar fazer com que nós tivéssemos tudo. Eu fui perdendo a fé. Nele. Na gente. Em mim.
E o que é mesmo a fé senão isso que nos faz arriscar tudo sem ter prova alguma de que vai dar certo? Fé é absurdo. É não ter razão alguma para crer, não possuir nenhum argumento, nenhuma prova e mesmo assim colocar toda uma vida em jogo. Aquele que crê e que tem fé, não prova absolutamente nada. Sente. Eu, aos poucos, fui deixando de sentir. E por isso minha história com o menino é tão triste. Porque foi se esvaindo. Pelas dores. Pelos dedos. Pelo tempo. E se perdeu.
The scars of your love remind me of us, they keep me thinking that we almost had it all. The scars of your love, they leave me breathless. I can’t help feeling that we could have had it all. Rolling in the deep. You had my heart inside of your hand. Mas ele jogou fora.





#1 by Da sua xará Terra on 10/09/2011 - 7:59 pm
a tristeza vazia é a pior de todas. Porque aquela tristeza cheia, abarrotada de sentimentos e gestos que não foram, rende mais tristeza, e você sente, senta, chora, escreve, pensa, fuma e bebe até ela ir embora de uma vez (mesmo que não vá de uma vez por todas). Mas a tristeza vazia, ela é tão sem rumo e sem nada, que você nem sente. Só sente que não sentiu nada, que não passou nada, que não guardou nada, e que por isso mesmo essa ausência se faz triste. Todos nós poderíamos ter tido mais, nos dado mais, ter recebido mais. O que desola é pensar que isso não é automático, nem ao menos sintomático. Quando você vê, já foi. Ou não foi. Sei que torço de longe pelos seus amores porque penso que amar é sempre melhor. Mas a verdade é que o amor não existe sozinho. Ou melhor, ele até existe e continua existindo. Cada vez se tornando mais triste e vazio.