Don’t cry for me, argentino

Love is the answer. But while you’ re waiting for the answer, sex raises some pretty interesting questions.
Woody Allen

Quando Paulo escreveu que sentia minha falta e que vinha pensando bastante em mim nos últimos dias, eu cheguei a escrever no meu Twitter que Ele havia retornado e que em breve haveria novas emoções. Pois bem, eu, muito arrasada e curtindo a fossa do nenhum-relacionamento-meu-dá-certo-ó-vida-ó-azar, me recuperei rapidamente e fiquei feliz PARA CARALHO (assim em caixa alta mesmo e nesses termos para que se faça jus à situação). Certo que sexo nenhum curaria toda a minha depressão de namoro falido, porque sexo não resolve nada. Se resolvesse, a indústria farmacêutica venderia mais Viagra que Lexotan. Mas não vende. Logo, não resolve. Mas ajuda. E como ajuda. Sendo Paulo então, talvez eu abandonasse de vez o Rivotril e o Rio de Janeiro e fosse passar noites em claro na Argentina com o sujeito.
Comprei passagem e avisei quando iria, que me esperasse e que não casasse ate lá. Porque né?! Vai que. E foi. Quer dizer, fui. Na mala, livros e lingerie. Talvez eu me mudasse para Buenos Aires, sei lá. Acabei sabendo lá, já na terra do Tango e comprando um livro de Jorge Luis Borges que Paulo estava enamorado. E putz. Sorte a minha ter reservado hostel ainda que com convite de hospedagem e vidinha de casal. É que depois dos primeiros sumiços e mudança do rapaz eu não quis parecer apaixonada e falei que ficaria num hostel porque queria privacidade e não queria também atrapalhar a rotina do homem. Tudo mentira. Tinha só receio que dessa vez o país escolhido para a mudança fosse do outro lado do mundo. E a Argentina então ficaria pequena demais para a minha dor.
Ele não casou, eu acho. Mas trocou corações e recados de saudade pelo mural do Facebook, e já bastava eu de enrolada com romances novos e antigos. Eu tinha muita coisa pra ver e os argentinos são galanteadores demais para que eu sofresse mais uma vez por Paulo.
Eu sofri, confesso. Chorei por quase três horas e fiquei praticamente um dia inteiro sem conseguir comer. Até que uma amiga, depois de ler toda a história que eu havia lhe mandado por e-mail, me respondeu em uma linha Porque você foi atrás desse homem? Eu encarei o teclado e aquela pergunta por quase, sei lá, quarenta e cinco minutos sem saber o que responder. Eu vim pra treinar meu espanhol e comprar alfajor. Ele seria lucro. Mentira. Eu vim porque sou apaixonada por tango, ué. Não. Eu não vim atrás dele, eu queria viajar e só. Também não. Eu tinha ido mesmo atrás do Paulo. Ou melhor dizendo, do pau-lo. Mas só porque estava com saudade e porque ele sempre aparecia com essa história de “gosto de você” e “vem pra cá dormir comigo”. Aí eu fui lá dormir com ele, gostar dele e de mim juntos e conhecer outro país. De repente esquiar, vai saber. Mas para variar ele sumiu, casou, fugiu. Como em outras vezes, como em outros textos.
Quarenta e cinco minutos depois, eu saí andando pela Calle Charcas e um sujeito falou para mim alguma coisa que de tão rápido eu não entendi, mas que se parecia com “punheta”. E foi exatamente nessa hora que tive uma espécie de epifania e entendi tudo. O cara provavelmente não falou punheta para mim, mas Paulo com certeza era uma punheta. Fica ali assim, mas nada, sabe como?! Punhetinha de Facebook, de MSN, de vida. Faz que vai comer, mas de verdade não come. Porque na hora H, pau-lo peida. Quer dizer, some. Ou foge ou se muda para um outro país.
Não culpo Paulo. Não por não querer nada mais sério comigo. Culpo-o por achar que EU queria algo mais sério com ele. Tá, até quis. Ano passado. Mas ele me deu um bolo. Dois! E se mudou pra Argentina. Depois disso era mesmo só sacanagem. Só de sacanagem. Só Lexotan, nada de mais. Eram só Buenos Aires (e novos), porque com o término eu estava mesmo precisando fugir um pouquinho daqui e de mim.
Que ele não gostava de mim, eu sempre soube. Ele só queria me comer. E enquanto ele me comia estava tudo ótimo. Mas agora nem isso. Fica só nessa merda de punhetinha de conversa virtual e dizendo que pensa em mim e que sente minha falta e que quer meu cheiro na cama dele e blá-blá-blá. Cansei. Desapeguei. Desencantei. Desisti. E fui ouvir Cumbia na Argentina mesmo e acabei encantada por Julián.
Julián, que é até mais bonito que Paulo ainda que não seja tão incrível quanto pau-lo. Lindos olhos verdes, um belo sorriso e a boca mais bonita de toda a República Argentina, vou te dizer. Mas Julián, tadinho, quer vir ao Brasil me ver. E eu? Eu desconverso, não respondo, sumo uns tempos. Depois reapareço e digo que estou com saudade, que tenho pensado muito nele nos últimos dias. “Vem pro Brasil. Tô sentindo falta do seu cheiro.” Tô virando uma punheteira, vai entender.

  1. #1 by André on 28/01/2012 - 12:35 pm

    Belo texto, como sempre, mesmo que não tenha a mesma graça do que ouvindo rs. Só um protesto: até em desculpa tá ultrapassado isso de ir pra argentina atrás de qualquer alfajor cotidiano, a boa é ir logo atrás dos havannets da vida e poder declarar com orgulho rs.

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